segunda-feira, dezembro 05, 2005

Gingerbread house


Começámos às 10.15pm, acabámos quase às 2:00am. Divertimo-nos imenso ao fazê-la, experimentámos vários designs, acabou por ficar assim. Achamo-la “cute”. O Scott acha-la apetitosa.
A construção da casa não se resumiu a colocar as paredes em pé e a dar-lhe um telhado decorado com peças coloridas, foi o estruturar de uma amizade que fica para sempre (ao contrário da nossa gingerbread house!). A Amy não vai ler isto, mas também não precisa, porque sabe.

As fotos podem estar desfocadas, mas a casa está perfeita e… cheira mesmo bem!

domingo, dezembro 04, 2005

San Diego at a glance









26 de Novembro

Forecast
Embora as previsões meteorológicas não fossem as melhores para quem pretendia atravessar montanhas, combinámos, eu e o Shawn, que ele me iria buscar a casa às 7:00. Chegou atrasado uns 15 minutos (enquanto esperava reparei na neve que tinha caído durante a noite; muita!). Também tinha ficado combinado que passaríamos pelo laboratório para regar umas plantas e vermos as condições meteorológicas. Ele telefonou para um serviço de informação actualizada sobre as condições das estradas. A 395 estava transitável. Confirmei com o Shawn se estava mesmo disposto a “arriscar” não conseguir voltar a Reno (já lhe aconteceu!), se continuasse a nevar no fim-de-semana. Ele disse que sim (eu voltaria de avião). Saímos do laboratório, como entrámos, debaixo de neve, e fizemo-nos, literalmente, à estrada. Em Reno nevava imenso. Informou-me que tinha gorros, luvas, comida e mais uma série de coisas para os dois, caso ficássemos presos algures! Mas não foi o caso. Durante as primeiras milhas nevou, mas depois parou e o dia nasceu absolutamente radiante, com o sol a bilhar num céu azul.

Deserto
A paisagem à saída de Reno e durante muitas, muitas milhas foi a de… Reno! Castanha e não muito interessante de um lado e bonita do outro, com montanhas altas cobertas de neve. À medida que o número de milhas percorridas ia aumentando, a paisagem ia modificando-se e entrávamos no verdadeiro deserto. Não o “deserto típico”, em que só se vê areia, mas o típico desta região. Que é seca, embora por vezes rasgada por um ou outro rio, e coberta por arbustos rasteiros.
Estava sol, não nevava, mas estava imenso vento. Aquela imagem típica dos filmes, quando alguém atravessa o deserto, a de pequenos (ou não!) arbustos a voar, acompanhou-nos durante muitas milhas.

Mono Lake
Estávamos a uma altitude elevada quando nos aproximávamos do local da nossa primeira paragem. Desfazíamos uma curva quando o lago nos apareceu à frente, no vale. Paisagem fantástica! Mono Lake é um lago de água salgada, mais salgada que a do mar, onde se podem observar umas formações constituídas por sais, tufas. Umas milhas depois, após um desvio à 395, e estávamos na margem do lago. Diziam para colocar a mão na água e sentir o quão densa é e para prová-la. Provei. Não ficámos lá muito tempo. Estava muito vento e muito frio. Havia pessoas enroladas em cobertores!

Hot Creek
Continuámos a nossa roadtrip. Deserto e mais deserto, milhas e mais milhas e chegávamos às Hotsprings de Hot Creek. Ficam num vale, por onde corre um rio, cujas águas são aquecidas pelas nascentes de água quente daquela região vulcânica. A actividade vulcânica da região manifesta-se sobre a forma de hotsprings, geysers e fumarolas. Sentia-se o cheiro a enxofre, mas não era muito forte. Estacionámos o carro e voltámos a enfrentar o frio que se fazia sentir lá fora, não que a temperatura estivesse muito baixa, mas estava muito vento. Há medida que íamos descendo até ao vale, o vento fazia-se sentir cada vez menos. As fotos que vi num guia fizeram com que as minhas expectativas para aquele local fossem elevadas. Foi uma decepção. Não achei nada de especial, com excepção da cor das algas que existiam no rio. Ainda que dificilmente alguma vez entrasse na água, como algumas pessoas fizeram, acho que deve ser a melhor coisa que aquele local tem para oferecer. Voltámos para o carro. Próxima paragem: Hot Creek State Fish Hatchery, local onde se faz aquacultura. O Shawn gosta de pescar (fá-lo com um anzol que não magoa os peixes e depois devolve-os ao rio!) por isso parámos lá, mas a época de pesca encerrou, pelo que se limitou a observar!
Mais umas milhas e parámos num restaurante em Lone Pine, o The Mt. Whitney. Tem o nome de uma das maiores montanhas dos USA. Restaurante muito frequentado pelos que vão até esta região para fazer treking e alpinismo. Demorámos tempo demais no almoço. Perdemos tempo. Já não iríamos apanhar a estrada junto à costa, que, segundo ele, a cada curva que se faz/desfaz, deparamo-nos com uma paisagem fantástica, porque ia ficar escuro e não poderíamos usufruir a vista. :( Fica para a próxima.

Perguntei-lhe se estava cansado, ao que me respondeu que adora conduzir e, que, embora não tenha dormido bem, não estava nada cansado. Não ousei perguntar se me deixava conduzir um bocado. Fica, também, para a próxima.

Assistimos a um pôr-do-sol pouco interessante e já bem de noite, mas ainda cedo, talvez às 9:00pm chegámos a San Diego. Agradeci ao Shawn a roadtrip, que não foi tão fantástica quanto isso, mas a culpa não é dele, e ele deixou-me no local combinado com a Sabine, com quem ia ficar o fim-de-semana. Ela vai publicar o artigo que eu queria publicar, mas gosto dela! Uma alemã, “casada” com um alemão, que trabalha no mesmo sítio que ela, na UCSD, num laboratório conceituado. Tinha planeado passar a primeira noite num hotel ao pé da praia, mas a Sabine insistiu que ficasse com ela e acabei por ficar. Tem um apartamento em La Jolla, arredores de San Diego, pequenino, mas muito “cozy”. Ficámos a conversar até quase às 2:00am, sobre trabalho, sobre o laboratório, sobre tudo e sobre nada. Damo-nos mesmo bem, teríamos ficado até à manhã seguinte, mas tínhamos combinado acordar “cedo”, às 9:00, para fazermos uma tour pela cidade.

27 de Novembro

Acordei antes do despertador, entretive-me a ler os títulos dos livros que ela tem, são maioritariamente guias. Ela e o Josef fazem treking e já conhecem os USA praticamente de uma ponta a outra. Atravessaram desertos, subiram montanhas, apanharam uns sustos, mas voltavam a repetir, se calhar com mais um litro de água (já explico).

La Jolla
Disseram-me para dizer a que sítios é que queria ir, que seria lá que iríamos. Assim foi. A primeira paragem foi no Birch Aquarium no Scripps Institution of Oceanography. Queria lá ir pelas medusas e pelos cavalos-marinhos. Valeu a pena pelas medusas, pela vista, mas pelos cavalos-marinhos nem por isso. O Scripps Institution of Oceanography fica situado à beira-mar, num sítio absolutamente fantástico. Na livraria comprei um calendário lindo onde não há criaturas marinhas, mas lá que andam na água andam (o que será?) :) e um livro que explica o que a cor e formato das nuvens representam. Interessante.

O Pacífico
Já eram 12:00 quando saímos do aquário, pelo que decidimos ir almoçar. Perguntaram-me o que é queria comer, respondi em forma de pergunta “O que é que é típico de San Diego?, responderam “Fish tacos”, pelo que foi isso que comi. Fomos a um dos melhores sítios para se comer os ditos. Fomos ao Wahoo’s, um bar de surfistas, muito ao estilo do nosso Peter Café Sport. Não comemos lá, pedimos takeaway e fomos almoçar junto à praia em La Jolla Shores. Desta vez sim, tinha o Pacífico à minha frente. É diferente do Atlântico num pormenor, que é muito provavelmente ilusão de óptica, parece que sobe, que está inclinado para cima… se calhar é só impressão minha! As ondas não estavam muito boas, não havia muitos surfistas, mas havia imensa gente na praia. Estava sol, céu limpo, um dia extraordinário. A Sabine disse que na Alemanha se diz que “When angels are traveling, the weather is good”! :) No dia anterior tinha chovido imenso. Deixei Reno debaixo de neve e trouxe o sol a San Francisco no fim-de-semana passado e a San Diego neste! Continuando. Almocei um fish taco com arroz e feijões, sem picante! Gostei! Após o almoço descemos até à praia, que é igualzinha “à minha praia” na Ericeira, as rochas, as algas castanhas, o cheiro, as ondas. Não é por acaso que ambos os locais são bons spots para a prática de surf (a quem interesse, o melhor spot fica na Pacific Beach)! Experimentei a água, estava boa! Apetecia entrar. Havia quem o fizesse. Fomos até à Children’s Pool, mesmo ao lado. Há uns anos atrás construíram uma barreira para criarem uma zona sem ondas para as crianças, mas os leões-marinhos apoderam-se da zona e agora a praia é só deles. Gostei de os ver.

Mount Soledad e Point Loma
De La Jolla Shores fomos até ao Mount Soledad, de onde se tem uma vista de 360º sobre toda a cidade, vertente mar e vertente terra. Local para as típicas fotos panorâmicas. Vi onde fica o Salk Institute of Biological Studies, e invejei a localização! Do Mount Soledad fomos para Point Loma, que fica na ponta de uma pequena península, para lá chegarmos temos de atravessar território militar, cujos portões fecham às 5:00pm, se alguém ficar do lado de lá, lá fica. De Point Loma vê-se a Mission Bay e os milhares de veleiros que lá estão atracados e a base militar onde foi filmado o Top Gun. É em Point Loma que está uma estátua de João Rodrigues Cabrilho/Juan Rodriguez Cabrillo. Para os portugueses ele era português, para os outros era espanhol. Foi o primeiro navegador europeu a pisar a costa oeste americana. A expedição era espanhola, mas um historiador defende que ele era português. Para mim o João/Juan era português, parece-me muito mais fácil que alguém tenha traduzido o nome para espanhol e criado a confusão do que alguém o ter traduzido para português!
Tinham-me dito que Point Loma era o melhor local para ver o pôr–do-sol, mas como se tem de sair de lá às 5:00, e havia outras coisa para ver, não esperámos.

De lá fomos para o Balboa Park, uma local onde existem vários museus em edifícios construídos para parecem antigos. Para uma europeia que conhece várias cidades onde os edifícios são mesmo antigos (!?) aquilo é, no mínimo, deprimente. Do Balboa Pak fomos para a baixa de San Diego. Uma “baixa” típica, com lojas e restaurantes. Foi aí que assistimos ao pôr-do-sol, foi dos bons, embora o local não fosse o melhor.
Próxima paragem, Old Town. Mais uma vez, de “old” esta zona, só tem meia dúzia de edifícios, se é que tem meia dúzia. É uma zona turística, com restaurantes e lojas mexicanas. Pretende representar a antiga povoação de San Diego. Procurámos um restaurante para jantarmos, mas só havia mexicanos e eu não estava para aí virada. Fomos a um italiano que eles conheciam, Caffé Bella Itália. Muito bom.

Depois de um dia bem preenchido regressámos a casa. Mais uma vez ficámos a falar até tarde. Desta vez, para variar, foram gossips do laboratório e viagens. As que fizemos, as que pretendemos fazer, o que correu bem, o que correu mal. Já tiveram problemas com água no deserto, pouca, e em florestas tropicais, muita. Fiquei a conhecer os materiais que quem faz treking utiliza, contra ventos e tempestades. O que se usa para o frio, para o calor, a roupa interior que seca quase instantaneamente. Sei que um blusão deve ter três camadas (o material é o Gore-Tex), que devem ser “coladas” para que não se desfaça por causa das alças da mochila.

28 de Novembro

De manhã fui até à UCSD, ao laboratório da Sabine, para trocarmos informações sobre o nosso trabalho e eu ver as plantas dela, depois ela foi levar-me ao SeaWorld Adventure Park. De entre os três parques que existem em San Diego, tive de escolher um. Um exclui por ser longe da cidade, e entre o Zoológico e o SeaWorld… sou mais água que terra, e depois, já vi pandas (a grande atracção do Parque Zoológico de San Diego), mas nunca vi orcas, como tal, foi ao SeaWorld que fui. Entrei por volta das 11:00, dei uma vista de olhos pelo mapa, escolhi o horário dos shows a assistir, de forma a conseguir vê-los a todos, e a diversão começou! :) Ficou muito abaixo das minhas expectativas, mas ainda assim foi um dia muito bem passado. Ri-me com o show dos leões-marinhos, com um show que não tem nada da a ver com o SeaWorld, mas que é o máximo, com cães e gatos (Pet’s Rule!); entediei-me na Haunted Lighthouse 4-D; não queria acreditar que o show Dolphin Discovery fosse só aquilo (mil vezes melhor o do Jardim Zoológico de Lisboa, e o do Zoomarine, que recomendo vivamente); gostei do Shamu Adventure. Nunca tinha visto orcas, por isso foi interessante, mas claro que as preferia ver no estado selvagem. São bem giras! Vi mais umas espécies que nunca tinha visto, mas a parte verdadeiramente emocionante ficou para o fim. Sempre fui apaixonada por golfinhos. Por mais banal que isso seja, não me interessa, eles são mesmo queridos e pronto. Estive quase uma hora junto ao tanque de interacção com golfinhos, talvez com 1,20m de altura, onde estão dezenas deles, mesmo ali ao pé de nós. Os treinadores ensinam-nos o gesto para os chamar e depois é só deliciarmo-nos com eles. Por mais que isto não seja natural e se pense que nenhum animal possa ser feliz num sitio assim, eles pareciam-me tão deliciados como eu e, depois, eles já nasceram ali (a propósito, o SeaWorld, tem uma taxa de reprodução, das espécies que aloja, invejável!), e aprendem a tirar partido da interacção com o público, os peixinhos que lhe damos e a atenção. Tenho a certeza que gostam, nenhum animal pode parecer tão bem, como eles parecem, se não estiver realmente bem. Não estou a dizer que não seriam mais “felizes” em mar aberto, mas as coisas são como são, e a realidade deles é aquela. Só saí de lá porque tinha uma avião para apanhar.

Porque nem tudo pode correr bem…
Apanhei um táxi até ao aeroporto de San Diego, que fica no meio da cidade. Coloquem um aeroporto na Avenida da República, em Lisboa, e podem imaginar o estranho que é. Se acham que os aviões em Lisboa já passam muito perto de alguns edifícios, dividam a distância por dez e vão ficar com uma ideia do que acontece em San Diego.
Entrei no terminal da Southwest e fui fazer o check in, estava já a guardar o passaporte e o senhor do balcão tinha acabado de dizer “Thanks Ma’am”, quando me diz “Wait, your flight was canceled”. Quase me ri na cara dele! Limitei-me a um “Why?!”. Problemas de tráfico e técnicos, foi a resposta. Parecem-me problemas em demasia! Anyway. Disse-me que me punha no próximo voo para San José e de lá voaria para Reno. O voo partia em 20 minutos, por isso o senhor do balcão foi comigo até à segurança, passou-me à frente das outras pessoas, e cheguei a tempo à porta de embarque, tive tempo de comprar um mapa que queria e ainda tive de esperar um bom bocado. Chovia imenso em San Jose, a aterragem foi má. Aterrei à mesma hora que devia estar a levantar voo para Reno, sai de um avião e entrei directamente no outro. Mais uma vez a aterragem, em Reno, não foi das boas, mas nada de especial. Ao aterrar pude ver as casas e ruas “brancas de neve” e as luzes de Natal. Cheguei mais cedo do que o previsto, pelo que tive esperar no aeroporto que o Scott acabasse as aulas para me ir buscar.

Gostei mais de San Francisco pela cidade em si, porque é cosmopolita e eu gosto de cidades assim, mas San Diego, tem praias muito giras e um ambiente mais descontraído, que me agrada. Se tivesse de escolher, acho que escolhia San Francisco para morar e San Diego para os fins-de-semana!
Legenda das fotos:
1. Mono Lake
2. Scripps Institution of Oceanography
3. Pôr-do-sol em San Diego
4. Shamu
5. o meu sorriso era igual ao dele :)

Saturday night

Os meus últimos dias têm sido algo preenchidos. Não tenho tempo para mim, para as coisas que ainda tenho que fazer no laboratório, nem para o blog. Mas hoje tinha de escrever qualquer coisa. Porque sim, porque me apetece.
Ontem passei o dia no laboratório. A noite no Zephyr. Um bar pequenino, com uma decoração, no mínimo, original, com pouca luz, muito fumo e música alta. É um daqueles bares onde tocam bandas de garagem, mas já com CDs. Gostei das duas de ontem. Fui lá com pessoas dos laboratórios vizinhos, um deles conhecia o dono e como tal entrámos sem pagar, sem ter de mostrar ID e ainda fomos apresentados aos membros de uma das bandas. Ao mesmo tempo que fui apresentada a uma série de pessoas, também me despedi delas. A maioria era muito simpática, se bem que a palavra certa para os descrever talvez seja cool. Na maioria eram snowboarders e americanos, mas havia um tunisino, um chinês, um francês e uma alemã, a única rapariga para além de mim. Foi a minha festa de despedida não oficial (a oficial, com o PI do meu laboratório, será segunda). Bebi mais do que devia (cerveja Sierra Nevada e Roman Coke, que na verdade se devia chamar jack and coke, porque Roman Coke vem de rum-n-coke, que é, como o nome indica, rum e Coca-Cola, a minha bebida era Jack Daniel’s e Coca-Cola), mas em qualquer momento disse ou fiz algo que não devia, mas deu para perceber que foi demasiado. Ontem não foi um dia fácil.
Em todos os sítios do mundo isto acontece, mas ontem à noite pude perceber e “sentir” o que é que as pessoas querem dizer com: “os americanos saem às sextas e sábados à noite com o objectivo de arranjarem alguém”. Em todos os lados existem as trocas de olhar, o olhar insistentemente para a rapariga para ver se cruzam o olhar, sorrir e depois começar uma conversa. A parte da conversa é importante, não tanto pelo que se diz, mas como se diz. Como há pouca luz e dificilmente nos conseguimos ouvir, o rapaz chama a atenção da rapariga tocando-lhe no braço, costas, ou cintura, depois há que falar ao ouvido, e, por fim, mantê-la junto a ele, agarrando-a na cintura, costas, ou, os mais ousados, no pescoço. Perdi a conta ao número de vezes que me disseram: “So, you’re from Portugal!”! Mas foi divertido. Foi como voltar uns anos atrás no tempo e imaginar-me numa festa de aniversário de uma colega do secundário. Foi engraçado perceber como estou “crescida”, como não me incomoda se um rapaz está a olhar, se me toca mais do que o necessário, se fala colado ao meu ouvido. Um sorriso, um passo para o lado oposto e começar a falar com outra pessoa resolve a situação. Tested and proved.

sábado, novembro 26, 2005

Neve

Neva imenso em Reno e eu vou atravessar a 395 até San Diego! Great! Espero nao ficar presa num sítio qualquer e passar a noite no carro! Se calhar vou ter mais uma história para contar! Quando fui a San Francisco quase perdi o meu voo, vamos ver o que me acontece desta vez!

sexta-feira, novembro 25, 2005

Fenómenos da Natureza


Quem me conhece sabe que sou muito ligada à Natureza (com letra maiúscula, que foi assim que aprendi a escrever na escola primária). Gosto da Lua, do Sol (do nascer e do pôr), adoro o mar, sorrio ao ver um arco-íris. Sorri quando vi o da foto, o que vi ao sair de casa e um outro há bocado, mas às vezes a Natureza pode ser mesmo antipática. Amanhã vou (ia?) para San Diego. Uma viagem de 10 horas por estradas que atravessam montanhas, por vezes algo sinuosas. Acontece que hoje está a chover e amanhã prevêem queda de neve, o que transforma paisagens quase desérticas em paisagens de sonho, e estradas em pesadelo. O dono do carro tem correntes para a neve, mas mesmo assim está a procurar percursos alternativos e a ponderar a ideia de não ir. Até não me chateia muito, mas detesto planos alterados na véspera.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Thanksgiving Day

Fiz um pequeno inquérito e este feriado americano foi eleito como o preferido pela maioria dos inquiridos, porque se comem muitas coisas boas, como no Natal, mas não há o stress de comprar presentes. De manhã fui para o laboratório e as pessoas com que me cruzei desejavam-me, sorridentes, um Happy Thanksgiving, agradeci e retribui, mas a verdade é que não consigo sentir nada de especial em relação a este dia, ainda assim, fui almoçar em “família”. Tinha planeado passar o dia no laboratório, porque achava que a refeição em família era o jantar, mas a Amy disse que não almoçava enquanto eu não regressasse a casa, pelo que à 1:00 sai do laboratório. Para o almoço estavam convidados, para além de mim, a residente, mais dois colegas do laboratório, um americano e um japonês. Almoçámos às 4:00! Thanks God que comi a meio da manhã! E porque é que só comemos às 4:00? Porque neste dia há sempre um jogo especial de futebol americano! Enquanto assistimos ao jogo, que até foi interessante, depois de recusar algumas vezes acabei por aceitar experimentar uma Bass. Até não é má, mas não é nada boa ideia beber sem comer! Eu, que já estava com sono, fiquei ainda mais sonolenta. Depois de um ou dois touchdowns espertei. Quem cozinhou tudo foi o Scott. Da ementa não fez parte o famoso peru, mas as “mashed potatoes” estiveram presentes e a acompanhá-las tivemos camarões! Foi das piores combinações que já experimentei, mas percebi que as “mashed potatoes” eram um must que não podia ser negligenciado. O colega japonês trouxe uma sopa de peixe e tofu, e um arroz mais ou menos doce que não gostei, pelo que o nosso almoço foi, acima de tudo, um almoço de combinações estranhas. Para sobremesa, como manda a tradição, tivemos caramel apple pie (a minha contribuição para o almoço), acompanhada com gelado. Devo admitir que foi a melhor parte! Depois do almoço assistimos a dois filmes, durante o primeiro estive quase a fazer uma retirada estratégica, porque estava a ser uma seca e o meu sono voltou, durante o segundo, Shrek 2, que já vi várias vezes, deu para rir um bocado, mas o que se seguiu foi torturante, resumos de jogos de futebol americano de há não sei quantos anos atrás. Assistir a um jogo de mais de 3 horas dá para aguentar, mas aquilo foi demasiado! Seguiu-se “Seinfeld”, depois “Curb your excitement”, e depois desisti e fui dormir, não sem antes “publicar” como foi o meu Thanksgiving Day. Thanks God this day is over!

Time for emancipation

Poucas vezes pensei nisto de forma tão serena. Às vezes chateada com esta ou aquela decisão (leia-se “Não, não podes ir!”) pensava em sair de casa (crises próprias da idade!), mas nessa altura não podia, não fazia sentido, mas agora posso, faz “todo” o sentido e… apetece-me. Apetece-me ter a minha casa, com a decoração que sempre imaginei, que está sempre a evoluir, mas que é a minha; convidar os amigos; cozinhar para mim, para eles; ter os meus horários, os meus hábitos, o meu saleiro, o meu galheteiro, o meu sofá, os meus quadros na parede, as minhas conchas algures, que não nas caixas das conchas! Quero abrir a porta de casa, receber os amigos com um sorriso e dizer “Olá, estejam à vontade, enquanto acabo o jantar!”. Antes só gostava de cozinhar doces, mas agora gosto de cozinhar tudo. A minha próxima compra vai ser um livro de receitas italianas. Não escolhi a cozinha italiana só porque é fácil cozinhar pastas, mas porque gosto. Praticamente todas as receitas de pastas envolvem azeite, alho, e ervas aromáticas, existem melhores ingredientes-base? I’m guessing not!
Claro que é mais fácil escrever este post do que o concretizar, mas o primeiro passo está dado, há o desejo de concretizá-lo. Estes 3 meses a viver “sozinha” ajudaram a perceber que está mais do que na altura, não que não goste de viver com os meus pais e avó, não que não seja muito mais “prático” não ter contas por pagar em meu nome, ter o jantar pronto quando chego a casa, e não me preocupar com a roupa, mas nem tudo é perfeito. Viver sozinha pode implicar perder algumas regalias, mas, com toda a certeza, trará coisas que agora não posso usufruir. Estes últimos meses foram como que um preparativo para os pais se acostumarem à ideia de não me terem sempre por perto, e para eu me habituar a não os ter a eles (eu estou preparada, já não posso dizer o mesmo sobre eles!). Acho que seria menos dramático se me mudasse para outro país, porque assim não estaria a sair de casa só para viver sozinha, mas antes por força das circunstâncias. Ontem o Jeff (o PI do meu laboratório aqui em Reno) questionou-me em relação à possibilidade de eu voltar. Talvez volte, embora saiba que há pessoas que vão ler isto e não vão ficar muito contentes, eu própria não fico absolutamente feliz, mas há alturas em que temos de tomar decisões importantes e parece-me que tenho uma para tomar. Vou ponderar os prós e os contras e arbitrar.

quarta-feira, novembro 23, 2005

San Francisco – full report



18 Novembro

Gate 9
O meu voo era às 6:15am, levantei-me às 4:30. Tinha um longo dia pela frente, mas desta vez não seria passado no laboratório. Chegámos ao aeroporto, fizemos o check in, confirmámos a porta de embarque, era a 9, e dirigimo-nos para lá. Quando chegámos não estava ninguém no balcão, nem o nosso voo estava indicado no painel e não havia ninguém à espera. Achámos estranho, voltámos para trás, confirmámos a porta. Era a 9. Numa outra porta vimos o número do nosso voo, a mesma hora, pessoas à espera e pensámos: “O número no painel está errado, é aqui!”. Sentámo-nos à espera do nosso voo. Faltavam 20 minutos quando ouvimos os nossos nomes a serem chamados pelo microfone; pediam-nos que nos dirigíssemos com emergência, à porta 9, a tal, a do painel. A caminho da porta certa, fomos literalmente interceptadas por um homem, sem qualquer farda, apenas com um cartão que o identificava como sendo “alguém” (podia ser o cartão de sócio de um clube qualquer!), que nos perguntou se estávamos a tentar perder o nosso voo e nos disse para lhe darmos os nossos cartões de embarque; que nós demos (!?). Disse-nos que já vinha e dirigiu-se para o lado oposto ao da porta 9. A situação era surreal. Rimo-nos! Tínhamos acabado de dar os nosso cartões de embarque a… alguém. Lá voltou e acompanhou-nos até à porta 9. Entrámos no avião, e uma hora depois estávamos a aterrar em Oakland. Perdemos algumas horas à espera da mãe da Amy, cujo voo foi cancelado (ela vinha de San Diego). Lá chegou e lá fomos, finalmente, rumo a San Francisco.

Cable cars
O nosso hotel, Sir Francis Drake, ficava na baixa de San Francisco, na Powell Street, uma das principais ruas de San Francisco, por onde circulam os famosos cable cars. Um hotel antigo que a mãe da Amy reservou para nós, nunca eu. O nosso quarto, com duas casas de banho completas(!), ficava no quinto andar. Recomendaram-me que ficasse num andar baixo, por causa dos sismos, mas não fiquei. Também não houve sismo nenhum! Estava um tempo fantástico, sol, uma temperatura muito agradável e não havia nevoeiro! A cidade de San Francisco é conhecida por estar constantemente encoberta por nevoeiro, principalmente no Verão(!), estava absolutamente descoberta, luminosa mesmo. Não lamento ter perdido esse ex-libris que é o fog de San Francisco!
Após o check in no hotel, fomos almoçar a um tailandês, pouco passava das 11:00! Comprámos os nossos passes para o cable car e apanhámo-lo até às docas. A viagem teve altos e baixos, literalmente. Para quem não se lembra dos filmes, aqui fica um apontamento “cinematográfico”: aquelas cenas em que se vê um carro a descer uma rua com várias lombas, que em filmes de acção, normalmente, envolve uns quantos saltos, são filmadas aqui. A viagem de aproximadamente 30 minutos até às docas permitiu ver muito da cidade e do que a rodeia. Foi um bom começo. Adorei a arquitectura as casas, que é muito típica daqui. Adorei as pessoas, a forma como se vestem e andam apressadamente nas ruas. Adorei a luz, que me fez lembrar a de Lisboa. Acreditem ou não, dava para perceber que o Oceano estava ali perto, não o Atlântico, o Pacífico, mas o Oceano. Curiosamente, quando sai da estação do comboio, e subi à superfície, se me perguntassem para que lado ficava o Oceano diria que ficava na direcção mais ou menos oposta à real, acho que a minha bússola interna está um pouco descontrolada, ou então era no Atlântico que estava a pensar!

Fisherman’s wharf
Finalmente, o Pacífico. Foi muito bom voltar a ver o mar outra vez. Na zona do Fisherman’s wharf não há praia, apenas docas, e a água é suja, porque é uma baía. A maré sobe e desce, mas a entrada de água vinda do oceano é provavelmente negligenciável e a circulação de barcos é muito elevada, o que resulta numa baía poluída. Anyway, água, muita água! É uma zona absolutamente turística, com muitas lojas, restaurantes e artistas de rua. Tinham-me avisado da existência de uns rapazes que se escondem atrás de uns arbustos falsos e assustam as pessoas. Estava avisada, mas eles são bons e não os vi. Assustei-me! Foi giro, faz parte da tradição! A emoção que se seguiu foi ver, pela primeira vez, confesso, leões-marinhos selvagens. Muitos, deitados ao sol. Da ultima vez que fui ao Jardim Zoológico de Lisboa um deu-me um beijinho (que é como quem diz, molhou-me a cara!), o que foi uma emoção, mas vê-los ali mesmo ao pé, mas no estado selvagem, sem saberem qual o gesto que quer dizer “encosta o teu focinho à cara dessa pessoa!”, foi muito melhor!
Comprámos os bilhetes para Alcatraz e fomos apanhar o ferry para “the rock”, como lhe chamam. Foi nos anos 30 que Alcatraz se tornou numa prisão de alta segurança, que teve a “honra” de acomodar personagens importantes como "Machine Gun" Kelly e Al Capone. Foi fechada em 1963 e é agora parte da Golden Gate National Recreation Area. Embora parte dos edifícios tenham sido destruídos por Índios Americanos que no final da década de 60 a ocuparam, o edifício principal e o farol permanecem mais ou menos intactos. A visita é feita com headphones. À medida que nos contam a história da prisão e nos apresentam os sítios por onde vamos passando, ouvem-se relatos de prisioneiros que estiveram mesmo lá presos, e em alguns locais simulam os sons que se poderiam ouvir na altura em que estava em funcionamento o que torna a visita algo impressionante. Numa tentativa de tomar a prisão, por alguns prisioneiros, ouve tiros e bombas que explodiram; podem-se ver as marcas dos tiros e das bombas no chão e paredes. Por vezes consegui abstrair-me da ideia de que aquilo foi mesmo real, que pessoas morreram ali, mas quando olho para as datas e vejo que tudo aquilo se passou não muitos anos antes de eu nascer, um súbito sentimento de realidade aflora, e Alcatraz, deixa de ser um cenário de um filme, para ser um local de realidades duras, marcadas pelo sofrimento dos que por lá passaram e dos que foram a causa da ida de outros para lá, das vítimas. A visita acaba, entrego os headphones e apanho o ferry de volta para Fisherman’s wharf. Do ferry vê-se a skyline da cidade e… a Golden Gate Bridge. Estivesse o Cristo Rei lá e diria que estava em Lisboa. É maior que a nossa e a área envolvente é mais bonita. A nível técnico teve os seus méritos, mas é só mais uma ponte! O que é que eu estou para aqui a escrever? Eu que tirei não sei quantas fotos, eu e as centenas de pessoas no ferry, quando passámos ao lado Dela. É bonita, tal como a nossa é, e o contraste do vermelho com o céu e mar azuis, e as margens verdes, tornam-na num monumento a ser fotografado, então se lhe juntarmos o pôr-do-sol por detrás, tornam-na irresistível para qualquer um com uma câmara fotográfica na mão.

Pier39
Embora tenha ouvido dizer que é a segunda atracção americana mais visitada na Califórnia, Pier 39 não é mais do que um centro comercial construído numa doca. É lá que fica o Hard Rock Cafe e outras tantas lojas, cafés, restaurantes, que atraem milhares e milhares de pessoas.
Jantei num restaurante no Fisherman’s Wharf, seafood, como convém em San Francisco e apanhámos o cable car de volta ao hotel. Às 8:00pm estava na cama, pouco depois estava a dormir!

19 de Novembro

Muir woods
Acordei às 7:00am, tinha de estar no Fisherman’s wharf às 9:00 para apanhar o autocarro que me ia levar a ver, pela primeira vez, redwoods (Sequoia sempervirens). A viagem envolveu uma paragem na Golden Gate Bridge e atravessá-la. Muir Woods fica do outro lado da baía de San Francisco, na Marin County (uma das mais caras dos USA). Gostei imenso do trail que seguimos pela floresta de redwoods. São árvores verdadeiramente imponentes, não tanto pela altura, que é impressionante, mas pela longevidade, pela resistência. Estavam cá antes de nascermos e estarão cá quando morrermos. Outros nascerão, morrerão e elas vão lá estar, resistindo a intempéries, sismos, fogos, sempre lá, de pé, a crescerem em direcção ao sol.

Sausalito
De Muir Woods fui para Sausalito, uma antiga comunidade de artistas. Agora também os há, mas são poucos. Os que lá estão são os que até podem ter talento, mas têm, acima de tudo, dinheiro para lá viver. Há alguns anos, vários artistas instalaram-se na vila e alguns deles construíram casas na baía (houseboats) com despojos que foram deixados após a segunda guerra mundial (acho que é esta história, espero não estar a inventar!). Até há algum tempo atrás as pessoas que viviam nessas casas, porque viviam em cima de água, não pagavam impostos, agora pagam, e pagam bastante! Há casas lindas nessa zona, casas de sonho, mas quase todas as minhas fotos foram tiradas de costas voltadas para as casas, de objectiva virada para aquilo que mais me apela, os veleiros. Há-os às centenas, na marina de Sausalito. Pena nenhum ter o meu nome no registo!
Almocei num restaurante sobre a água, no “The Spinnaker”, com vista para San Francisco. Altamente recomendado! Em Sausalito faz-se compras e visita-se galerias de arte. Foi isso que fizemos. Fui à galeria Art that makes you laugh do Jeff Leedy, artista que não conhecia e do qual fiquei fã. Comprei um quadro, não fosse eu ter esta coisa com quadros! Comprei o “troubled bridge over water”, porque às vezes me sinto mesmo assim.

Ghirardelli
É um centro comercial, mas, originalmente, uma marca de chocolates. Os chocolates de San Francisco. São bons, mas há melhores. De volta a Fisherman’s wharf, fomos até ao centro comercial e comprámos os chocolates. Faz parte da tradição. “If you’re going to San Francisco… don’t forget to by Ghirardelli’s chocolates”.

Chinatown
Quando se entra em Chinatown pela Grant Avenue and Bush passa-se pelas Pagoda Gates, e não há dúvida que marca a entrada num outro mundo. As cores, os cheiros, os sons, as pessoas, a língua que se ouve nas ruas, são diferentes. Fomos lá para jantar num restaurante que a mãe da Amy conhecia. No “r & g”, que dizem ser um dos melhores restaurantes chineses de San Francisco, do qual o Jackie Chan é cliente! Tivemos de esperar um bocado até termos mesa, mas valeu a pena, é mesmo bom. A frase que saiu no meu bolinho da sorte foi: “you will enjoy good health, you will be surrounded by luxury”. Se o meu luxo for estar rodeada dos que amo, não preciso de mais nada, assim se cumpra o meu destino. Depois de jantar entrámos em tudo o que é loja chinesa. Mesmo sabendo que todas as lojas têm exactamente os mesmos produtos, entrámos em todas, comparámos preços e acabámos a comprar nas mais caras! Voltei ao hotel com uma série de coisas giras, que incluem um chapéu chinês. À custa dele ainda vou acabar por ter uma sala, um escritório, ou mesmo um quarto decorado com motivos orientais! A mãe da Amy queria beber qualquer coisa, queria ir ao “starlight room” que ficava no último andar do nosso hotel (21º). Eu não estava numa de beber nada, mas queria ver as luzes por isso também fui, ou melhor não fui, não fomos. Mesmo às pessoas hospedadas no hotel, estavam a cobrar 15 Dólares à entrada, apercebemo-nos disso e não entrámos. Elas foram até a um bar beber qualquer coisa, eu fui tomar um duche e dormir. No dia seguinte ia, finalmente, passar o dia sozinha!

20 de Novembro

All by my own
A Amy e a mãe saíram para tomar o pequeno-almoço e a seguir saí eu. Elas foram ao Starbucks, eu fui à Borders, mesmo em frente ao nosso hotel. Para quem não sabe, é uma loja do género da FNAC. Tomei um cappuccino e comi um chocolate chip cake (muito saudável!). Apeteceu-me! Circulei por entre os livros, fiz umas compras e sai. Entrei na loja ao lado! A Disney Store! Sou fã, como tal não podia deixar de lá ir. Quando fui a New York, onde existe uma megastore da Disney, quando lá cheguei estavam a fechar a portas, uma decepção! Quase tão grande como a Disney Store de San Francisco, que quase não tinha nada do Mickey, a criação do Walt Disney que o tornou tão famoso! Fiquei chateada, ainda assim comprei duas coisas. Como estava mesmo em frente ao hotel fui lá deixar o que comprei e voltei à Union Square, onde fica a Macy’s! Como também sou fã de decoração, fui à secção de decoração que é absolutamente divinal. Estava a ficar com calor, na minha camisola de Inverno, mas também não estava assim com tanto calor que me apetecesse andar só de T-shirt, pelo que fui à procura de algo de algodão, não muito à Inverno, não muito à Verão. Encontrei um casaco que não é nada o meu estilo, se pensarmos que é preto, mas é o princípio de um novo estilo. Agora visto preto. Não o vesti logo na loja, mas iria vesti-lo dali a uns minutos. Antes disso passei pela secção de malas (já superei a minha fase de devorar malas, mas ainda me custa resistir a pelo menos observá-las). Não havia nada de interessante o que é sempre um descanso para a carteira! Ao lado ficava a secção de joalharia. Como ando há meses à procura de um anel, fui até lá espreitar. Encontrei-o. Não fazia ideia de como era o anel que queria, mas era mesmo aquele. Sai da loja e fui até ao hotel trocar de roupa. O meu plano para a manhã, que já tinha terminado (já passava das 12:00) era ir a Japantown, e foi para lá que me dirigi quando saí do hotel. Ainda no quarto vi no mapa qual a direcção a seguir e guardei-o. O que mais gosto de fazer numa cidade, ou em qualquer lado onde vou, é de me misturar com os residentes, be one of them (acho que consegui, várias pessoas perguntaram-me direcções!), para isso, o mapa não pode sair da mala!

Japantown
Fica a uns quantos blocos de distância do hotel, mas fui a pé, que é a única forma que conheço de se conhecer uma cidade. Ainda na baixa da cidade deu para sentir quão cosmopolita, rica em cultura/culturas, e open-minded a cidade é (San Francisco é conhecida pelo número de homossexuais que aloja e isso vê-se na rua!). Como sempre me acontece, pelo menos uma vez, quando me meto a explorar cidades sozinha, ando por onde não devia. A caminho de Japantown o ambiente começou a ficar cada vez pior e pensei duas vezes se não estava na altura de fazer algumas alterações ao meu percurso. Como sempre, não faço. Acho sempre que se considerei que pode acontecer algo de mau, então, não acontece (até um dia!). Quando estava quase a desistir, quando tirei o mapa(!) para ver quantos blocos ainda me faltavam, comecei a ver os nomes das ruas traduzidos para japonês e alguma coisa me disse que tinha chegado! Não é tão interessante como Chinatown, mas ainda assim interessante. Essencialmente lojas de arte japonesa, que não me agrada tanto como a chinesa, não sei bem porquê, e muitos restaurantes. Estive tentada a comer lá, mas, ainda que o menu fosse atraente (os pratos estão expostos em montras), resolvi não “arriscar”.

Crookdest Street
Sai de Japantown, comi num sítio normalíssimo, e fui até às docas, não sem antes passar num dos sítios mais emblemáticos de San Francisco, a Crookdest Street. É cenário de filmes, e embora não me consiga lembrar de nenhum filme, acho que só pode ser cenário de uma cena romântica ou de uma despedida. É difícil explicar, mas a rua, que não passa de uma rua às curvas, com poucos metros de comprimento, com um declive elevado, com casas de um lado e outro, e muitos canteiros com flores, é um sítio mesmo especial. Ao descê-la (antes disso subi a rua “mais a subir” que alguma vez subi) foi como se a cidade não estivesse mesmo “ali ao lado”, como se não houvesse barulhos. É um sítio especial, mas não sei explicar bem porquê. Vou ser um bocado “romântica-desinteressante-pouco original”, mas aquela é uma rua para se descer, ou subir (demora mais tempo) de mão dada, com paragens pelo caminho!

Lá cheguei às docas. Senti o movimento dos milhares de pessoas, maioritariamente turistas, na zona do Fisherman’s wharf e Pier 39, onde eu própria me passeei outra vez. Jantei. Fui apanhar o cable car para o hotel, e, enquanto esperava por ele, o que deve ter demorado uns 45 minutos (as filas são enormes e temos de esperar que venham vários e levem as pessoas que estão à nossa frente), assisti ao pôr-do-sol por de trás da Golden Gate Bridge. Stunning!
Antes de subir ao meu quarto no quinto andar, fui novamente à Chinatown, antes disso passei por umas quantas lojas que ainda estavam abertas, embora já fosse tarde. Por ainda haver movimento nas ruas, movimento que me pareceu “seguro”, não senti que estivesse a abusar da sorte (após o percurso baixa-Japantown!). Não me livrei, no entanto, de ouvir uns quantos “comentários” (uma rapariga sozinha resulta nisso!), mas nada de deprimente, como normalmente acontece em Portugal. São tão inofensivos que a maior parte das vezes dei por mim a responder aos “Hi”, e a rir-me quando um grupo me disse “Looking good!” (I feel good, I should be looking good!). Embora nos meus planos para este dia estivesse incluída uma ida até à praia, que não se concretizou, nem por isso deixo de ter a-do-ra-do o “meu dia”.

21 de Novembro

Tinha planeado ir ao Exploratorium segunda de manhã. Great choice! Estava fechado! Passeei-me pela zona envolvente do Palace of Fine Arts, onde o Exploratorium está instalado, que nas fotografias parece muito mais interessante do que realmente é. Voltei à baixa de San Fancisco, percorri mais umas ruas, para fazer tempo para o meu voo. Apanhei o comboio para o aeroporto de Oakland e regressei a Reno. Ao laboratório, para onde fui de tarde.

Não sei exactamente quais as razões que me fizeram gostar tanto de San Francisco, mas foram várias. Talvez a principal tenha sido o quão “european-like” a cidade é e estar há uns meses longe de casa, talvez não. Talvez tenha sido por não ver o mar há muito tempo, talvez não. Talvez porque é mesmo uma cidade especial, no matter what.

domingo, novembro 13, 2005

Extremos(*)


Porque “águas passadas não movem moinhos” e porque “depois da tempestade vem a bonança”, hoje estou animada. :) É Domingo, está sol lá fora, estou a poucos quilómetros de San Francisco (**) e de dois ou três parques nacionais fantásticos (pelo que vi em fotos!), e eu estou no laboratório, mas continuo animada. Há dias assim.
De manhã estiveram cá quatro pessoas no laboratório (é por estas e por outras que os USA são a maior potência do mundo!), mas foram-se todos embora. Agora estou sozinha. Enquanto o meu gel corre vim até aqui falar com o meu “amigo imaginário” (esta tem dono!), não que precise dele, mas quando se está a 8824Km de casa, dos amigos, e com 8 horas de diferença horária, quando nos apetece falar com alguém em português, depois das 4:00pm, o melhor mesmo é falarmos com o nosso “amigo imaginário”, que os outros estão a dormir!
Li no Público que há estradas na Serra da Estrela que estão fechadas devido à neve que caiu. Aqui não neva, antes pelo contrário, está sol e as temperaturas subiram (e eu que comprei umas botas para a neve!). Diziam-me noutro dia que as pistas de esqui ainda nem abriram! Querem que eu vá experimentar snowboard assim que abrirem. Estou com espírito para isso, mas o tempo não está para aí virado.

(*) Num dia estamos menos bem, no outro estamos melhor. Num dia o mundo parece-nos uma estrada difícil de atravessar, cheia de pedras, onde se cairmos nos magoamos muito; mas no outro a seguir a relva volta a ser verde e as quedas, a existirem, são suaves.

(**) Hoje estou a quilómetros de San Francisco, para a semana, estarei a quilómetros do laboratório, talvez na prisão!

sexta-feira, novembro 11, 2005

Gone with the wind



Hoje de manhã reparei que a neve no cume dos montes em redor da minha casa (a da Amy), derreteu. Já fazia parte da minha paisagem matinal e foi muitas vezes alvo da objectiva da minha câmara (que cada vez mais anda comigo), mas desapareceu, quase de um dia para o outro. Desapareceu tão repentinamente como a esperança que depositei numa determinada coisa, desapareceu. Perder a esperança é algo que mexe mesmo connosco. Enquanto a temos, por mais que nos pareça impossível de acontecer, há sempre a dúvida: pode ser que… Às vezes a dúvida pode ser algo de muito bom. Pode parecer insensato, mas prefiro uma dúvida a uma certeza indesejada. É a opinião (influenciada) de alguém que perdeu a esperança em conseguir algo que desejava muito e que sente falta dos dias em que podia acordar de manhã, sorrir, e pensar: pode ser que… Mas agora já não posso. Agora sei que a esperança não é a ultima a morrer, embora, inegavelmente, tenha um fim. Às vezes tem um final feliz, às vezes não. O meu não foi, necessariamente, triste, mas não foi, decididamente, Feliz, com “f” maiúsculo.
Diz-se que a realidade, mesmo quando dura, é sempre melhor opção que uma mentira, ainda que deliciosa, mas às vezes a realidade é tão fria, que preferimos o calor com que a nossa esperança, em forma de mentira, de ilusão, nos aquece. Viver na esperança de que… consegue fazer-nos abstrair de tudo o que de mau se passa em nosso redor. Focamos apenas “aquilo”, “aquele”, que nos faz bem, que nos arranca sorrisos, que nos faz sentir tão especiais, tão únicas. Quando a esperança acaba é como… É como nas fotos, na primeira só se vê a planta, delicada, perfeita, na segunda, vê-se as folhas caídas, a relva que já não está verde. Tudo o que de feio nos rodeia passa a ser visível quando os nossos sonhos, as nossas esperanças, deixam de fazer sentido. Quando desaparecem com o vento, como as sementes do dente-de-leão.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Counting down


Falta um mês para voltar. Há algum tempo atrás isso seria motivo de comemoração. Hoje não é. Habituei-me à cidade. Ambientei-me no laboratório. Sei onde as coisas estão; não tenho de passar o tempo a perguntar onde está aquela enzima, ou outra coisa qualquer. Sinto-me em casa. Tenho quinhentas mil coisas para fazer. Talvez não sejam assim tantas, mas parecem.
Esta noite dormi mal. Tive um pesadelo, daqueles de criança, que nos fazem acordar com medo de que seja mesmo real. Voltei a dormir, mas voltei a acordar às 5:30 e não dormi mais. Quando me levantei, olhei pela janela e pareceu-me que o dia ia ser bonito, o céu estava azul e o Sol erguia-se no horizonte. Mas às vezes aquilo que parece nem sempre é e por cima das nuvens brancas, iluminadas pelo Sol matinal, num céu azul, havia nuvens escuras a espreitar. Não as vi antes de tirar a fotografia; só as vi quando a abri no computador. Espero que o dia não me corra muito mal; não tenho tempo para dias “negros”. Vou tentar ser prática e seguir a rota traçada para mais um dia longo e não olhar muito para a janela e ver as nuvens negras que fazem o Sol brilhar menos. Confuso? É possível. Não dormi bem.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Brrr, It’s cold!


Finalmente o frio chegou. Os tão falados windy days começaram e as temperaturas caíram “desamparadas” para máximas de 13 e mínimas de 3. Com temperaturas elevadas em tudo o que é casa, carro, autocarro, e 10ºC na rua, acho que me vou constipar.