quinta-feira, dezembro 29, 2005

Colecções

Há quem coleccione selos, canetas, relógios, calendários, eu colecciono frases. Encontrei uma muito boa, pela qual poderia reger a minha vida:

Life is not measured by the breaths we take, but by the moments that take our breath away.

Não sei de quem é, provavelmente de alguém que a seguia à risca e a quem pouco importava que os outros soubessem que a frase era sua.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Post Scriptum

Porque faço muito uso dele, reservo-lhe, hoje, um post! Foi criado para colmatar esquecimentos, mas assumiu vida própria. O PS, nos dias de hoje, deveria ter outro significado. Na era dos e-mails podemos sempre acrescentar texto mesmo depois de assinarmos, não o fazemos propositadamente, porque queremos dizê-lo em PS. Porque Sim. Porque Sei que essa vai ser a última coisa que o outro vai ler, e provavelmente a que vai reter. Fica aqui a tributo ao PS, que uso muitas vezes para dizer as coisas mais importantes e que já me disse tantas coisas que queria “ouvir”!

Tolerância de ponto

Porque ontem foi Natal, resolvi dar-me a mim própria um presente extra e, aproveitando a tolerância de ponto, hoje não fui para o laboratório. Fui à Ericeira. Estava a chover, mas nem mesmo debaixo de uns aguaceiros antipáticos desisti de ver o mar, não um mar qualquer, mas o mar da Ericeira. Conheço-lhe o cheiro, as cores, e as marés, sei onde são os melhores lugares para nadar, os lugares a evitar e não consigo passar muito tempo sem o ver. Desde que nasci que a Ericeira é destino de fim-de-semana e aprendi com o meu avô materno a amá-la (há quem a deteste!). Durante muito tempo disse que iria viver para lá, hoje já não faz parte dos meus planos a curto/médio-prazo, mas um dia talvez acabe os meus dias a ver o pôr-do-sol na praia que me viu crescer.

domingo, dezembro 25, 2005

É Natal

Pois é, mas quase não dei por ele. Sempre fui fã do Natal, quando era pequena participava activamente na decoração da casa dos meus avós, onde costumava passar o Natal. Hoje já não passo lá o Natal e este ano, em particular, nem a árvore de Natal fiz (fez a minha mãe, após muito insistir comigo de que estava na altura de a fazer). Dizem que quando crescemos o Natal deixa de assumir a importância que enquanto crianças lhe damos, talvez seja essa a razão para o desinteresse, talvez não, a verdade é que este foi o Natal menos natalício que já tive. Continuo, no entanto, a gostar de músicas de Natal. Gosto de música, hei-de gostar sempre de músicas de Natal!

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Regresso ao “lab”

Foram só três meses fora, mas quase me sinto uma estranha no “meu laboratório”, aquele que vi nascer desde pequenino. Foi bom reencontrar os meus colegas daqui, mas estaria a mentir se dissesse que não sinto falta do meu laboratório emprestado de Reno e dos colegas e da agitação de um laboratório grande. O regresso é mais que certo.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Hoje era o dia oficial da minha chegada. Se ontem só duas ou três pessoas deram pela minha chegada, hoje choveram telefonemas. Ainda que todos me façam as mesmas perguntas, o que me obriga a dizer a mesma coisa muitas vezes, é bom estar de volta.

Ainda me doem os braços!

quinta-feira, dezembro 08, 2005

It’s the little things!


À chegada a casa fui surpreendida com algo que os meus pais preparam para mim enquanto estive fora. Não era um carro novo, ou uma decoração nova no quarto (ainda bem!), era uma coisa muito mais simples, que eu lhes pedia há já uma eternidade: o jardim relvado (por enquanto só metade!). Adoro o verde da relva, o cheiro dela quando cortada e as gotinhas de água a escorregarem pelas folhas após ser regada. Definitely, it’s the little things!

quarta-feira, dezembro 07, 2005

De regresso a casa

Finalmente, o dia de regresso. Havia algum entusiasmo, mas o sentimento de que estava a deixar muito para trás era evidente. O meu primeiro voo era às 6:50am. Pelas 5:30am estava eu e o Scott sentados em cima da minha mala a tentar fechá-la. Depois de tirar algumas coisas, conseguimos! Foram levar-me ao aeroporto e a despedida quase que foi molhada com algumas lágrimas, mas foi selada com um “See you soon”. Fiz o check-in do voo Reno-Salt Lake City e pediram-me que abrisse a mala (a mesma que tinha requerido que eu e um rapaz de mais de um 1,80m nos sentássemos em cima dela para a fechar!) porque algo estava errado! Perguntaram-me se tinha livros na mala, disse que sim, e disseram-me que o alarme toca sempre que são detectadas grandes quantidades de papel. Abri a mala, onde tinha dezenas de tubos com coisas que trazia do laboratório(!). A segurança passou com o detector de metais por entre os livros e disse-me que podia voltar a fechar a mala. Foi fácil! Uff! Entretanto a pessoa que estava ao balcão sugeriu-me que alterasse o meu segundo voo de SLC para NY para mais cedo, para não ter de esperar no aeroporto de SLC um dia inteiro. Alterei. Assim apanharia um avião para NY assim que chegasse a SLC e chegaria a NY às 4:30pm em vez de chegar às 11:30pm. O que era bom, já que tinha deixado para os últimos dias a marcação de um hotel em NY e não tinha conseguido, até ao momento, achar um hotel próximo do aeroporto que me custasse menos de 500 dólares! O meu plano era passar a noite de 7 para 8 num hotel do aeroporto e passar o dia seguinte em NY (o meu voo para Portugal era às 6:30pm do dia 8). Mas sem hotel, cansada e com a possibilidade de apanhar um voo para Portugal ainda no dia 7 (cheguei lá às 4:30 e havia lugares disponíveis no voo desse dia), troquei NY por uma chegada mais cedo a Portugal?! A viagem correu bem, mas não consegui dormir, em parte devido à senhora que se sentou ao meu lado, que passou o tempo a verificar se tinha o cinto bem colocado, para o que tinha sempre que me tocar no braço, e que o apertava mais cada vez que nos pediam que apertássemos os cintos!?
Já em Lisboa deram-me as “boas-vindas” com uma simpática espera de quase 45 minutos pela minha mala, mas que foi compensada pelos abraços quentinhos dos pais e avó que me foram buscar ao aeroporto.

terça-feira, dezembro 06, 2005

I’ll miss you

Na minha última noite em Reno assisti a um filme, que o Scott, a Amy e o Shawn acham muito engraçado, mas ao qual eu não achei piada nenhuma! Também, isso pouco interessava, o que interessava é que estávamos juntos. Despedi-me do Shawn, um amiguinho especial e passei longos minutos a falar com o Scott e a Amy antes de me ir deitar. Disseram-me que a casa ia ficar vazia sem mim. Eu também vou sentir a falta deles.

Snow(&)board(*)

Hoje foi o meu último dia aqui. Ontem o Jeff perguntou-me se eu já tinha feito algo nos USA que nunca tivesse feito noutro sítio qualquer, como beber root beer ou caminhar sobre um lago gelado!? Disse que não. Dois colegas meus “resolveram” que eu não saía de Reno sem esquiar. Pediram ao Jeff para me “raptarem” na terça de tarde para me levarem até um dos muitos resorts de esqui existentes aqui nos arredores. De manhã fiz tudo o que me faltava fazer e pela 1:00pm estávamos todos prontos para subir até NorthStar. Pelas 2:00pm eu e o Shawn chegávamos ao local combinado (o Steve tinha ido até à cabana dos pais, no Lake Tahoe, buscar o equipamento dele). Durante a viagem combinei com o Shawn que iríamos fazer uma aula de esqui. O Shawn pratica snowboard há uns 8 anos, mas nunca esquiou, pelo que seria a nossa primeira vez. Quando lá chegámos a última aula de esqui do dia já tinha começado. Não iríamos poder inscrever-nos. Pedi para esperarmos pelo Steve, que pratica snowboard, mas que esquia desde os 4 anos. Ele podia ensinar-nos, mas como ele não aparecia decidi-me a experimentar snowboard. A primeira dificuldade foi escolher o tamanho da prancha e qual o pé que colocaria à frente. O Shawn fez-me o “push test”; empurrou-me pelas costas e viu qual foi o pé que coloquei à frente. Foi o direito. Escolhi o direito, o que é o mesmo que dizer que sou “goofy”, se tivesse escolhido o esquerdo era “regular”. A segunda dificuldade foi calçar as botas. Botas calçadas e prancha na mão, decidimos não esperar pelo Steve e apanhámos o teleférico até à pista para principiantes (para mim!). Já com a bota direita “presa” à prancha tive a minha primeira lição: como deslizar (é tipo skate, nada de especial) e como parar (lição “muito” importante!). Deslizei até às cadeirinhas que nos levam até ao cimo da pista, sem antes ter o meu primeiro “deslize”. O Shawn disse-me como sair da cadeira, mas eu, tal como todos os outros na minha situação, não “resistimos” a sentir a consistência da neve no cimo da pista assim que lá chegamos. Caí ao descer, mas até não foi muito mau, porque antes de cair ainda esquiei um bocado, de maneira que não cai no caminho da cadeira, ou seja, não fiquei no caminho dos que vinham atrás de nós! Ainda só com uma bota presa à prancha deslizei até ao início da pista, sem mais quedas. Tive mais umas aulas com o Shawn, pratiquei as “travagens”, aprendi, na teoria, como me levantar e… sentei-me, estava na altura de prender a outra bota à prancha. O Shawn tinha-me avisado de que era mesmo estranho estarmos com os dois pés presos a uma tábua, mas não achei muito mau… até tentar levantar-me! É que levantarmo-nos com uma prancha presa aos pés numa superfície inclinada não é fácil, não é nada fácil! Lá consegui manter-me uns segundos em pé, deslizar alguns metros até à minha primeira queda digna de registo. Doeu! O Shawn comentou comigo que daria jeito aos snowboarders usaram fraldas (conseguem imaginar onde é que nos aleijamos?), também me disse para tentar cair para trás apoiando-me nos cotovelos, para evitar magoar-me nos pulsos. A maior parte das vezes caí sobre os pulsos, mas como sei parar bem (haja alguma coisa que saiba fazer bem!), consigo cair de forma mais ou menos elegante (se é que existe algo de elegante em cair!) sem me magoar. Após umas tentativas frustradas para me manter em pé em cima da prancha, comecei a sentir uma dor num tendão do pé direito (costumava-me acontecer isto quando nadava, é um qualquer movimento do pé que o provoca). Fiquei sentada durante uns minutos até me passar. Passou. Voltei a tentar, voltei a cair e começava a ficar com os braços cansados de fazer força para me levantar. Um dos empregados do resort que estava a uns 100 metros de mim, disse-me qualquer coisa, mas não percebi. Veio ter comigo e disse-me que o truque era ficar em “tiptoes”, prendeu-me a prancha com o pé dele, para eu me levantar, o que deu imenso jeito, levantei-me e experimentei o que ele me disse, mas manter a posição “upright” por muito tempo foi algo que não aconteceu, voltei a cair e nesse momento um instrutor de snowboard parava mesmo ao meu lado com a sua aluna. A lição do momento era como se levantar a meio da pista sem escorregar. Fixe! Era mesmo isso que precisava aprender. Sugeriu-lhe que se tentasse levantar de costas para a pista. Eu e ela estávamos de frente, pelo que precisávamos de nos virar de costas. Não é simples quando temos os nossos pés presos a uma prancha com 1,50m. Observei como é que ele lhe disse para fazer e qual o truque para se levantar. Quando se afastaram o Shawn chegou ao pé de mim e ajudou-me a tentar fazer o que eu tinha acabado de aprender. Não gostei muito da sensação de estar de costas para a pista, mas que é mais fácil, é. Mais uns segundos em pé, mais umas quedas e já estava a ficar escuro (as pistas estavam quase a fechar). “Enough is enough” e desisti, fui sentar-me num sitio muito agradável, enquanto esperava que o Shawn chegasse de uma das pistas para… avançados! Ele chegou e fomo-nos embora. Encontrámos o Steve à saída!
Tirando os braços cansados foi mesmo muito bom. Da próxima vez experimento com o pé esquerdo à frente, acho que escolhi mal (como é que podia ter feito algo de jeito se escolhi ser “goofy” em vez de “regular”?! :)

(*) “Snow & board” porque havia neve e uma prancha, mas snowboard, viu-se pouco!

segunda-feira, dezembro 05, 2005

See you soon?

Hoje foi a minha despedida oficial. Fui almoçar com o Jeff e alguns colegas do laboratório. Foi bom sentar-me ao lado do Jeff, melhor ainda, sentir-me ao lado dele. O resultado da conversa ao almoço e da que se seguiu no laboratório resume-se a um pedido muito simples; “Assim que chegares a Portugal começa a tratar do visto para voltares.”. Sei que posso evoluir muito mais na área em que estou a trabalhar agora ao lado dele, mas aqueles que amo, que estão em Portugal, ainda me fazem hesitar na decisão… tomada.

Gingerbread house


Começámos às 10.15pm, acabámos quase às 2:00am. Divertimo-nos imenso ao fazê-la, experimentámos vários designs, acabou por ficar assim. Achamo-la “cute”. O Scott acha-la apetitosa.
A construção da casa não se resumiu a colocar as paredes em pé e a dar-lhe um telhado decorado com peças coloridas, foi o estruturar de uma amizade que fica para sempre (ao contrário da nossa gingerbread house!). A Amy não vai ler isto, mas também não precisa, porque sabe.

As fotos podem estar desfocadas, mas a casa está perfeita e… cheira mesmo bem!