terça-feira, dezembro 16, 2008
domingo, dezembro 14, 2008
O que me dá para fazer sozinha em casa
Ele foi trabalhar de tarde, eu passei pelo meu instituto (menos de uma hora), e agora, sozinha em casa, fui pôr pão no forno e comi-o, quase todo, ainda quente, com manteiga. Adoro pão quente e detesto estar sozinha em casa sem ele.
O que me passa pela cabeça num domingo à tarde sem Sol
Para além da técnica do meu laboratório, que tem uns 40 e tal anos, eu sou a única mulher naquele laboratório cheio de homens, e tenho a dizer que não gosto nada. Sempre gostei de estar sozinha no laboratório, agora mais do que nunca. E pronto, era mesmo só isto. Isto e dizer que o tempo ontem e na sexta-feira esteve detestável (chuva e muito vento), hoje está melhor, mas não há Sol. Já aqui disse que nao gosto da Escócia? Acho que sim, mas caso haja dúvidas, aqui fica a confirmação. Não gosto. Não vivo contrariada, nem ando sempre a pensar nisso, mas quando penso, penso sempre igual.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Busy these days
Os dias passam rápido e, embora aconteçam relativamente poucas coisas, não tenho muito tempo livre. O maridinho (em itálico) anda a trabalhar até tarde e eu a divertir-me na cozinha a preparar comidinhas (ontem foi bifes de cebolada, que ficaram bem fixes).
Pela primeira vez na minha vida tenho e-mails atrasados e tem-me sido difícil ser uma amiga presente, e só vejo tendência a piorar. O que é bom nisto tudo é que quer dizer que tenho uma vida preenchida, não só de trabalho.
Hoje mudámos a disposição das nossas secretárias no write-up room e agora tenho uma rapariga à minha frente que tem muita bonecada para o meu gosto (tenho patos, ursos, tartarugas, a estátua da liberdade, e muito mais, especados à minha frente… de costas). Enfim, tem o Mickey, e só por isso está perdoada.
Mas… a minha resolução de Ano Novo, que por ser tão importante já começou a ser posta em prática, é não dizer mal de ninguém e como tal, acabou aqui o mal dizer. Acaba a seguir, que tenho de dizer que, embora esteja no instituto com mais segurança em que alguma vez estive, este meu laboratório é aquele em que me sinto menos segura e não mexo em nada sem luvas. Acho que está tudo contaminado com tudo, mas principalmente brometo de etídeo, esse elemento tão querido dos laboratórios de Biologia Molecular.
Hoje vou inventar um jantar com frango, brócolos, cogumelos e natas. A acompanhar, puré de batata.
Amanhã tenho o almoço de Natal do laboratório, num restaurante turco. A ver se gosto. Amanhã digo.
Pela primeira vez na minha vida tenho e-mails atrasados e tem-me sido difícil ser uma amiga presente, e só vejo tendência a piorar. O que é bom nisto tudo é que quer dizer que tenho uma vida preenchida, não só de trabalho.
Hoje mudámos a disposição das nossas secretárias no write-up room e agora tenho uma rapariga à minha frente que tem muita bonecada para o meu gosto (tenho patos, ursos, tartarugas, a estátua da liberdade, e muito mais, especados à minha frente… de costas). Enfim, tem o Mickey, e só por isso está perdoada.
Mas… a minha resolução de Ano Novo, que por ser tão importante já começou a ser posta em prática, é não dizer mal de ninguém e como tal, acabou aqui o mal dizer. Acaba a seguir, que tenho de dizer que, embora esteja no instituto com mais segurança em que alguma vez estive, este meu laboratório é aquele em que me sinto menos segura e não mexo em nada sem luvas. Acho que está tudo contaminado com tudo, mas principalmente brometo de etídeo, esse elemento tão querido dos laboratórios de Biologia Molecular.
Hoje vou inventar um jantar com frango, brócolos, cogumelos e natas. A acompanhar, puré de batata.
Amanhã tenho o almoço de Natal do laboratório, num restaurante turco. A ver se gosto. Amanhã digo.
domingo, novembro 30, 2008
Curtas
Ontem fui ao International Street Market na companhia de uma portuguesa, uma espanhola e um holandês. Havia uma tasquinha portuguesa com bacalhau e pastéis de nata, mas comemos salsichas alemãs, paella e churros espanhois. Quase congelámos com o frio (vários graus negativos, de certeza). A tarde foi passada no café de uma livraria, até ser hora de jantar. Falámos, falámos e falámos, de tudo e de nada. Foi uma tarde bem passada. A repetir.
Hoje fomos às compras. Mas não foram umas compras quaisquer porque foram pagas com o meu primeiro salário. Já tive um antes, mas não era assim a sério. Senti-me mais crescida :)
Durante a semana vão acontecendo coisas engraçadas, que me ocorre relatar aqui, mas depois vou-me esquecendo e acabo por não ter nada de muito emocionante para dizer. Quando me habituar ao frio que me gela as orelhas mesmo debaixo do chapéu, prometo ser mais regular. Agora vou trabalhar um bocadinho. Sim, é domingo, mas a vida de cientista é mesmo assim.
quarta-feira, novembro 26, 2008
Rápidas
Já nevou, já choveu, mas hoje fez sol :)
Na sexta-feira e no sábado nevou bastante e, embora estivesse frio (mesmo frio!), lá fui até à praia... tinha de ver neve na areia. Que fixe! (fotos mais tarde que a minha internet em casa e no instituto anda pelas ruas da amargura). Almoçámos num restaurante à beira-mar, com uma bela vista para o mar ameaçador...
O Domingo passou-se em casa e estive mal disposta.
Comecei a trabalhar no laboratório a tempo quase inteiro e já me vou desenrascando com o "bicho" novo com que trabalho.
Hoje fui ao Induction Event, uma sessão de boas-vindas para os novos empregados (ah, pois, que agora sou empregada e tenho um horário), que envolveu um passeio guiado pelo campus antigo da Universidade. Interessante.
Conheci uma portuguesa que veio aqui fazer umas experiências. Eu que até não gosto do espírito de me juntar aos outros portugueses só porque somos todos de Portugal (mesmo que no nosso país jamais nos viessemos a falar...) até gosto de estar com esta Bracarense.
Continuo a adorar cozinhar e nem me importo que ele chegue tarde e não me ajude (ontem e antes de ontem veio tarde e trouxe-me flores para compensar. So sweet :)
Fico-me por aqui que o arroz já está pronto e a carne só precisa de ser aquecida. Por falar em comida, estou viciada em cogumelos (frescos), passo a vida a fazer comida com eles. Ainda dentro do mesmo tópico, reinventei uma entrada, pão de alho. Sim, não é completamente original, mas a forma rápida e prática de o fazer é-o (acho eu!). Cortem fatias bonitas de um pão bom (o que por aqui é tarefa praticamente impossível), barrem com manteiga (aqui uso a fantástica "I cant't believe it's not butter", que já usava nos USA), polvilhem com alho em pó e com oregãos secos. Levem ao micro-ondas por uns segundos e já está, uma entrada simples, mas saborosa e atraente.
terça-feira, novembro 18, 2008
Novidades da terra dos kilts
Tantas coisas novas a acontecer e eu sem vir até aqui.
Na primeira semana fiquei em casa, com imenso tempo para escrever, mas com uma preguiça enorme. Confesso que estive meio em choque (ainda estou). Está a custar-me um bocado habituar-me a isto. Isto é o país, o tempo, a luz, as pessoas, a casa (temporária), ao novo emprego, enfim, à vida na Escócia.
Agora estou em fase de habituação activa, tem de ser, não há tempo para claudicar.
O instituto
A minha casa fica a uns 10 minutos do instituto onde trabalho. Que é “tão” fixe. É que uma pessoa sente-se mesmo importante por trabalhar lá. Não gosto muito do meu laboratório, mas o resto do instituto é mesmo fixe e até consigo desvalorizar a minha bancada pequenininha. Até agora ainda só li coisas e planeei trabalhos [desde que escrevi isto já fiz um PCR…]. Já tenho um caderno de laboratório oficial (tão giro!), mas ainda está vazio [já não está]. O horário é das 9:00 às 17:00. Claro que não é bem assim, mas vou fazer para que não se estenda muito mais.
Tenho uma secretária, um cacifo, e um cartão magnético, para abrir as portas (todas as portas têm de ser abertas com um cartão e todas são portas anti-fogo). O instituto tem 7 pisos, o meu laboratório fica no 2, o write-up room fica no 3, a sala de seminários fica no 7 e tem uma vista extraordinária para a cidade e para o Mar do Norte.
Os meus colegas de grupo são dois rapazes e uma técnica, até gosto de um (o inglês), não gosto dos outros dois (o luxemburguês e a escocesa; 66%...). Gosto do meu chefe.
Nunca almocei uma única vez com eles, não aceitei o convite para os chás a meio da manhã e não me inscrevi para ir à festa de Natal do instituto… acho que assinei a minha declaração de anti-social. No entanto, dou-me muito bem com um grupo enorme de gente de outro laboratório, com quem simpatizo bastante (nacionalidades espanhola, chilena, mexicana, grega, holandesa, escocesa, alemã, indiana,…).
Há muito mais para dizer mas fica para outros posts.
A cidade
A capital europeia do petróleo e do granito é uma cidade cinzenta. Embora eu teime em não acreditar a cidade é perigosa, os índices assim o confirmam.
O tempo
Está tudo quase sempre molhado, há quase sempre vento, já que estamos junto ao mar, mas como recompensa oiço as gaivotas de manhã e isso anima-me, lembra-me a minha Ericeira.
Anoitece antes das 17:00 [agora é mais pelas 16:00].
A casa
A casa tem aquecimento e vidros duplos o que é bastante confortável. Não se ouve praticamente barulho nenhum no exterior e para além disso a rua da frente só tem um sentido e serve essencialmente para as pessoas que moram aqui, atrás há um jardim comum, e por detrás um condomínio privado. É estranhamente silencioso, mas é bom.
A vida… a dois
Já tinha experimentado antes, mas sempre em situações pouco convencionais. Agora temos uma vida normal, ambos saímos de manhã para ir trabalhar e ao fim do dia estamos ambos meio cansados, mas nem por isso ficamos rabugentos.
Descobri que adoro cozinhar, embora não tenha tido grande tempo e continuo a adorar passar a ferro…
Coisas soltas
No primeiro dia perguntaram-me “So, your husband works at […]?”, meio estupefacta com a pergunta respondi que sim. Embora não use aliança há quem pense que sou casada e isso é algo de muito curioso.
Bebe-se mesmo muito chá por aqui. Também se bebe muito, ponto final.
Grande parte das escocesas tem rosácea.
Não percebo quase metade do que um escocês diz (não percebo mesmo!). Então se for uma pessoa assim mais rural é o fim.
A maior parte das vezes parece-me que os carros estão a ser conduzidos por ninguém, já que olho para o banco esquerdo e não está lá ninguém. Ainda assim, já me habituei a atravessar as ruas olhando primeiro para a direita, se bem que não resisto a voltar a olhar para a direita quando já estou na faixa em que os carros vêm da esquerda (não vá lá vir alguém enganado…).
Raramente abri o chapéu-de-chuva, convicta de que esta chuvinha não molha grande coisa e a minha gabardine é muito linda e não deixa passar nada.
Faltam muitas coisas, mas acho que me fico mesmo por aqui que não estou muito inspirada e tenho montes de trabalho. A semana que vem [esta semana!] vai ser muito, muito puxada, com duas espécies de talks e uma reunião de um dia com gente das matemáticas que vem de Leicester.
A ver se arranjo fotos e se venho aqui mais vezes.
Nota final
Que os meus colegas britânicos não vejam isto, mas prefiro os Estados Unidos mil vezes ao UK.
Na primeira semana fiquei em casa, com imenso tempo para escrever, mas com uma preguiça enorme. Confesso que estive meio em choque (ainda estou). Está a custar-me um bocado habituar-me a isto. Isto é o país, o tempo, a luz, as pessoas, a casa (temporária), ao novo emprego, enfim, à vida na Escócia.
Agora estou em fase de habituação activa, tem de ser, não há tempo para claudicar.
O instituto
A minha casa fica a uns 10 minutos do instituto onde trabalho. Que é “tão” fixe. É que uma pessoa sente-se mesmo importante por trabalhar lá. Não gosto muito do meu laboratório, mas o resto do instituto é mesmo fixe e até consigo desvalorizar a minha bancada pequenininha. Até agora ainda só li coisas e planeei trabalhos [desde que escrevi isto já fiz um PCR…]. Já tenho um caderno de laboratório oficial (tão giro!), mas ainda está vazio [já não está]. O horário é das 9:00 às 17:00. Claro que não é bem assim, mas vou fazer para que não se estenda muito mais.
Tenho uma secretária, um cacifo, e um cartão magnético, para abrir as portas (todas as portas têm de ser abertas com um cartão e todas são portas anti-fogo). O instituto tem 7 pisos, o meu laboratório fica no 2, o write-up room fica no 3, a sala de seminários fica no 7 e tem uma vista extraordinária para a cidade e para o Mar do Norte.
Os meus colegas de grupo são dois rapazes e uma técnica, até gosto de um (o inglês), não gosto dos outros dois (o luxemburguês e a escocesa; 66%...). Gosto do meu chefe.
Nunca almocei uma única vez com eles, não aceitei o convite para os chás a meio da manhã e não me inscrevi para ir à festa de Natal do instituto… acho que assinei a minha declaração de anti-social. No entanto, dou-me muito bem com um grupo enorme de gente de outro laboratório, com quem simpatizo bastante (nacionalidades espanhola, chilena, mexicana, grega, holandesa, escocesa, alemã, indiana,…).
Há muito mais para dizer mas fica para outros posts.
A cidade
A capital europeia do petróleo e do granito é uma cidade cinzenta. Embora eu teime em não acreditar a cidade é perigosa, os índices assim o confirmam.
O tempo
Está tudo quase sempre molhado, há quase sempre vento, já que estamos junto ao mar, mas como recompensa oiço as gaivotas de manhã e isso anima-me, lembra-me a minha Ericeira.
Anoitece antes das 17:00 [agora é mais pelas 16:00].
A casa
A casa tem aquecimento e vidros duplos o que é bastante confortável. Não se ouve praticamente barulho nenhum no exterior e para além disso a rua da frente só tem um sentido e serve essencialmente para as pessoas que moram aqui, atrás há um jardim comum, e por detrás um condomínio privado. É estranhamente silencioso, mas é bom.
A vida… a dois
Já tinha experimentado antes, mas sempre em situações pouco convencionais. Agora temos uma vida normal, ambos saímos de manhã para ir trabalhar e ao fim do dia estamos ambos meio cansados, mas nem por isso ficamos rabugentos.
Descobri que adoro cozinhar, embora não tenha tido grande tempo e continuo a adorar passar a ferro…
Coisas soltas
No primeiro dia perguntaram-me “So, your husband works at […]?”, meio estupefacta com a pergunta respondi que sim. Embora não use aliança há quem pense que sou casada e isso é algo de muito curioso.
Bebe-se mesmo muito chá por aqui. Também se bebe muito, ponto final.
Grande parte das escocesas tem rosácea.
Não percebo quase metade do que um escocês diz (não percebo mesmo!). Então se for uma pessoa assim mais rural é o fim.
A maior parte das vezes parece-me que os carros estão a ser conduzidos por ninguém, já que olho para o banco esquerdo e não está lá ninguém. Ainda assim, já me habituei a atravessar as ruas olhando primeiro para a direita, se bem que não resisto a voltar a olhar para a direita quando já estou na faixa em que os carros vêm da esquerda (não vá lá vir alguém enganado…).
Raramente abri o chapéu-de-chuva, convicta de que esta chuvinha não molha grande coisa e a minha gabardine é muito linda e não deixa passar nada.
Faltam muitas coisas, mas acho que me fico mesmo por aqui que não estou muito inspirada e tenho montes de trabalho. A semana que vem [esta semana!] vai ser muito, muito puxada, com duas espécies de talks e uma reunião de um dia com gente das matemáticas que vem de Leicester.
A ver se arranjo fotos e se venho aqui mais vezes.
Nota final
Que os meus colegas britânicos não vejam isto, mas prefiro os Estados Unidos mil vezes ao UK.
sexta-feira, outubro 24, 2008
Despedidas
Hoje foi dia de despedidas, com direito a bolo (um original da Sofia) e ao clássico postal, cheio de mensagens calorosas. Valente, não chorei.
sexta-feira, outubro 17, 2008
Entusiasmo
Quanto mais penso no meu novo projecto mais me entusiasmo. É que é mesmo interessante. Até pode nunca dar em nada, como tantos outros, mas pela primeira vez vou estar a trabalhar em algo com uma aplicação na área da medicina e a ideia agradamente particularmente. Também confesso que estou um bocadinho nervosa, porque vai ser quase tudo novo para mim.
quarta-feira, outubro 15, 2008
Ponto de viragem
Ainda não o disse aqui, mas vou dizendo-o por aí. Vou sair de Portugal. A viagem está marcada e é só de ida. Rescindi do meu contrato aqui e assinei um lá. Lá é na terra do scotch. O meu mais que tudo está lá à minha espera. Se não fosse por ele jamais ia parar àquele país, que me desculpem os escoceses que, segundo me vão dizendo, até são gente simpática. O problema é que esta gente conduz do lado errado da estrada, passeia na praia de casaco vestido em Agosto, tem aquecimento em todas as divisões da casa, e acende as luzes muito cedo, tal como o Sol, que se apaga cedo demais. Não sei se vou gostar, mas vou esforçar-me, por isso já comprei a tal da gabardine e ando a namorar galochas. E depois, ele está lá, e onde ele está é onde eu quero estar. Eu vou para lá e as saudades vão comigo. Isso e umas quantas caixas que seguem por correio. A minha vida empacotada segue para lá.
Quando fui para os Estados Unidos prometi o relato da vidinha por lá (foi, aliás, por isso que este blog nasceu), agora fica prometido o relato da aventura na Escócia, desta vez a dois.